Colégio João Paulo I

Projetos   InformAÇÃO a Distância  InformAÇÃO a Distância



Bomba atômica - O holocausto Nuclear

Luiz Carlos Goulart



“Um ato insano, provocado por mentes doentes, determinou uma das maiores, senão a maior tragédia da humanidade: o holocausto nuclear.” Albert Einstein

Nem Albert Einstein imaginava que suas descobertas na área da Ciência poderiam um dia ser usadas para a destruição do ser humano. Após as tragédias de Hiroshima – em 6 de agosto (com aproximadamente 100.000 mortes) – e de Nagasáki – em 9 de agosto de 1945 (com aproximadamente 80.000 mortes) –, o renomado cientista pronunciou a seguinte frase: “Tudo havia mudado... menos o espírito humano”.

Em 1939, a comunidade científica americana, junto com cientistas que estavam buscando refúgio nos Estados Unidos, fugindo do nazismo e do fascismo, dentre os quais Enrico Fermi, discutia a viabilidade da construção de uma nova arma de destruição para ser utilizada na guerra. Foi então encaminhada uma carta, pelo próprio Einstein, ao então Presidente dos Estados Unidos da América, Franklin Roosevelt, informando que deveria ser priorizada a construção de uma bomba com base em Energia Nuclear, antes que os alemães o fizessem.

Nasceu, então, o Projeto Manhattan, com a finalidade de construir a Bomba Atômica. Aproximadamente seis anos depois, foi feito o primeiro teste com a detonação de uma dessas no deserto do Novo México, em 16 de julho de 1945. Descobriu-se que os efeitos eram devastadores. O fim da 2ª Guerra Mundial estava próximo e – consequentemente – o de centenas de milhares de seres humanos, de maneira trágica, que sequer podiam imaginar o que estava por acontecer.

Nos Estados Unidos, crescia a incitação do povo para a manutenção dessa prática bélica, utilizando inclusive motivos religiosos, oriundos das reflexões de Harry Truman, montando frases religiosas as quais ele fingia acreditar [ou será que ele realmente acreditava?], como, por exemplo, “Agradecemos a Deus por ter vindo a nós (referindo-se a bomba) e não aos nossos inimigos e oramos para que Ele nos guie para usá-la a Sua maneira e com Seus propósitos”.

Nasceram, então, Little Boy e Fat Man, as duas Bombas Atômicas que foram lançadas em 06 de agosto e 09 de agosto, respectivamente, sobre as cidades de Hiroshima e Nagasáki, com poder de destruição jamais imaginado. As bombas foram detonadas a aproximadamente 500 metros de altura e, num raio de três quilômetros, destruíram tudo o que havia: pessoas foram pulverizadas nessas regiões e os efeitos devastadores se estenderam por muitos quilômetros, produzindo uma radiação extremamente nociva de modo a provocar danos irreversíveis ao ser humano. De onde pode ter surgido tanta maldade? A cidade de Hiroshima foi escolhida pela sua geografia. Localizada num vale, a concentração do efeito seria maior.

Especulava-se que o fim da Guerra era iminente, a Alemanha já tinha se rendido, e o Japão era só uma questão de tempo. Entretanto, os Estados Unidos precisavam mostrar ao mundo o poder que eles tinham nas mãos. Foram 150.000 civis condenados a morte por Harry Truman.

O avião que despejou toda essa desgraça em Hiroshima, batizado por Enola Gay - em homenagem a mãe do piloto –, tinha uma tripulação que ficou estarrecida diante do que seus olhos viram, exclamando “o que fizemos!?”. Mas que também, dias após, quando questionados se teriam coragem de repetir tudo novamente, mesmo sabendo de toda a destruição provocada, de todas as vidas ceifadas, não hesitaram em responder que – pela honra de sua pátria – fariam tudo novamente. Isso, por vezes, nos faz perder a esperança.

Neste mês de agosto, fazem 63 anos que a tragédia aconteceu. O que pensar das pessoas que tomam decisões como essa? Pergunto-me, às vezes, quais seriam as atitudes destes tripulantes, destes governantes quando eram crianças, com suas famílias, em suas escolas... será que eram como as de pessoas normais? Temos que refletir no que leva um ser humano a deixar crescer esse potencial para o mal. Temos que pensar no que resultarão as nossas atitudes, desde as mais simples até as mais elaboradas. Temos que ponderar que passamos a vida tendo que acreditar nas pessoas, acreditar que elas não terão esse desvio de curso de suas faculdades mentais e, ao menor sintoma de que isso está acontecendo, temos também a obrigação de alertar para os riscos que essa conduta pode criar.

Todo esse poder, seja de comando, de destruição, seja de nortear a nossa vida, não está nas mãos dos governantes, está em nossas mãos, pois somos nós quem os colocamos para representar o nosso bem-estar e, consequentemente, decidirem sobre os rumos de nossa vida em sociedade. Este é um aniversário que não deveria ser comemorado. Em vez disso, deveria ser lembrado como uma atitude para jamais ser repetida. Devemos conservar o coração e a mente sadios para, quem sabe um dia, se exigidos, podermos tomar a decisão correta.